Grajaú: 199 anos de história. O que comemorar?
Por Fúlvio Costa
Lá vamos nós de novo. Grajaú desta vez faz exatamente 199 anos de história. A data é comemorada no próximo dia 29 de abril, uma quinta-feira sem novidades que possam mudar os rumos da população da cidade.
Na quinta-feira, 29, não haverá grandes novidades. Apenas algumas singelas comemorações na Praça Raimundo Simas. Nestes 199 anos, data histórica, que antecede os dois séculos de fundação da pequena Grajaú, é importante lembrarmos alguns fatos.
O primeiro deles é sobre nossa educação. Uma pena e vergonha municipal, ou senão, talvez, estadual, nacional. No último dia 21 de fevereiro noticiamos aqui professores em praça pública exigindo da prefeitura o pagamento de seus salários atrasados desde 2009. Para protestar, o Sindicato dos Professores bradou. "Não existe dinheiro do Fundeb para solucionar o problema". E realmente não havia. Para onde foi o dinheiro da educação?
Ainda no início deste ano, para não falar apenas de pontos negativos desses 199 anos, Grajaú enviou para Viçosa (MG) seis acadêmicos de zootecnia, para um estádio em um dos maiores centros de pesquisa na área no Brasil. Uma vitória desses 199 anos no campo da educação para o município. É importante ressaltar que os acadêmicos são da primeira universidade pública de Grajaú, outra vitória para o município. Os dois fatos já podem responder à pergunta do título. "O que comemorar?". Mas basta? Claro que não.
No campo da educação Grajaú tem também outra vitória. A Universidade Aberta do Brasil (UAB) já funciona e os grajauenses aproveitam. Em fase de implantação, também, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) também no município.
No campo da cultura, Grajaú resgatou a Folia de Reis. Uma festa popular religiosa que há muitos anos tinha sido esquecida no município. Tal resgate tem nome e merece aplausos. Se chama Soraida Nava, bem como outras pessoas, como dona Luzia Mendes, mestre João Atenas, entre outros.
Voltando ao campo da educação, fica um ponto de interrogação. A Academia Grajauense de Letras é boa ou ruim para o município? Eu respondo. Se a academia fosse transparente seria ótima. Se seus membros estivem na ativa, escrevendo, publicando, divulgando, seria ótimo para as crianças e jovens. Mas nossa academia, infelizmente, não tem nome. Faz um teste: pergunta nas ruas de Grajaú quais os nomes dos membros da AGL. Será que alguém saberá responder? Portanto, a Academia de Letras de Grajaú não cumpre seu papel para nossa educação. Só se lembra de academia em Grajaú quando seus membros falecem.
Ainda nestes 199 anos existe uma guerra histórica que não conseguiu ganhar solução por incompetência de nosso quadro político, municípal, regional e estadual. Trata-se da relação social entre povos indígenas e brancos. Não é novidade quando um ônibus é assaltado na BR-226. Ou quando pessoas são feitas reféns em aldeias indígenas. A culpa é de quem? Dos indígenas, claro que não. Eles chegaram aqui primeiro. Do branco, também não. Mas do poder público, que não tem capacidade de mediar a situação. O grande erro que faz com que essa guerra étnica continue e perdure ao longo da história se chama demarcação de território indigena cortada por uma estrada federal. A dupla é a gota d'água.
O QUE COMEMORAR?
Creio que a maior vitória desses 199 anos é força do povo grajauense que não se rende à pobreza social do município. Grajaú tem um poder gigante no que diz respeito à natureza: pólo mineral, nascente de rios e córregos, produtor de grãos, etc. O grajauense, antes de tudo é um forte, pois, sem ver as condições ideais para alçar voo no município, ele se desapega de amigos e família e parte para outros estados do Brasil. Como bem lembra o jornalista Palmério Dória em seu livro "Honoráveis Bandidos", o maranhense é o maior migrante deste imenso país, ou seja, é a maior população estadual fora de seu território. O maranhense está espalhado pelo Brasil e pelo mundo, por falta de condições sociais. Isso se dá porque o estado continua a ser o segundo estado mais pobre da federação. Grajaú é o município de número 67 do Maranhão em um ranking de 217 municípios. É bom lembrar que somos um dos mais antigos, afinal, quase 200 anos é mais de um terço da idade da capital São Luís.