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Almas gêmeas do sertão
91 leituras


Francisco Brito

Poeta e Membro da Academia Barra-Cordense de Letras

e do Conselho Fiscal da Federação das Academias de Letras do Maranhão

 

Desde criança aprendi a gostar de Grajaú. Na minha infância em Barra do Corda, nos anos 70, sempre testemunhei  uma ingênua "rivalidade" entre essas duas cidades, que prefiro identificá-las como co-irmãs. Existe uma certa cumplicidade entre as duas. A começar pela fundação. Enquanto a primeira completou 199 anos no dia 29 de abril, a outra quatro dias depois, fez exatos 175 anos, no dia 03 de maio passado, ambas com muita história e poucos avanços.

 

Mas, destacando as semelhanças, quero aqui, me reportar ao que vivi. Na área esportiva existia uma competição ferrenha. Acompanhei algumas vezes a delegação do Grêmio Esporte Clube cordino para Grajaú nas competições em torneios de futebol, outras vezes amistosos que desencadeavam um duelo à parte. Não recordo quem mais saiu vencedor daquelas disputas.

 

Eu tinha um amigo chamado Adevaldo. Sua família morou algum tempo em Grajaú, depois foram residir em Barra do Corda. Seu pai era proprietário da loja denominada, depósito de redes Vitória, o famigerado, João Bileu. Muitas vezes ia para passar o fim de semana em sua residência, próxima às margens do rio Grajaú. Daquelas idas e vindas, não havia os índios à beira da BR 226, no entanto, enfrentávamos a poeira no verão e os atoleiros no inverno.

 

Lembro-me de um episódio hilário. Certo sábado à noite estávamos na bela praça matriz, eu e o meu amigo, quando conhecemos duas garotas. Como rolava apenas bate-papo, eis que surge um grupo de uns cinco meninos  nos incitando para uma luta corporal. Como nunca fui de brigas, convidei meu amigo a nos retirar. Só que não deu tempo e acabamos saindo correndo para casa. No dia seguinte bem cedo, arrumei as malas e regressei para Barra do Corda.

 

Meses depois, a situação se inverteu. Por ocasião de uma grande festa no Guajajara Iate Clube, a cidade foi invadida por muitos vizinhos de Tuntum, Presidente Dutra, Dom Pedro, e claro, de Grajaú. No intervalo daquele evento festivo, eu e Adevaldo, nos aproximamos dos grajauenses e os abraçamos desejando uma boa estada na cidade cordina, terminando ali as rixas que ainda poderiam existir.  

 

Mas, Barra do Corda e Grajaú, são assim. Existirá sempre a mutualidade. São províncias oriundas indígenas. Têm rios e cachoeiras. Duas igrejas e praças matrizes históricas e belas. A cultura também se identifica. Grandes nomes nas letras e em todas as áreas do conhecimento e do saber. Existem as Academias de Letras, ABL e AGL. E um grande pólo turístico ainda a ser explorado.

 

Em contrapartida, o progresso anda lento nas duas cidades. Faltam políticas públicas a ser implementadas urgentemente, na saúde agonizante, na educação "analfabeta", na segurança insegura, na habitação destelhada e, principalmente gestores públicos com amor e comprometimento praticando uma governabilidade com justiça social igualitária.